Casa Francisco Igrejas Caeiro

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A Casa Igrejas Caeiro, enquanto residência de Francisco Igrejas Caeiro (15 de Agosto de 1917 - 19 de Fevereiro de 2012), foi legada pelo mesmo à Fundação Marquês de Pombal.

Radialista, ator, encenador e locutor de TV, afirmou-se pela democracia e direitos fundamentais e lutou contra qualquer tipo de opressão e tirania, tendo sido vítima de constantes perseguições desde o afastamento do Teatro D. Maria II, onde se estreou como ator. Foi demitido da Emissora Nacional e passou por uma rigorosa vigilância sobre a sua ação profissional, através da censura discriminatória exercida pela Comissão de Exame e Classificação de Espetáculos, anuladora de numerosos trabalhos radiofónicos e teatrais, tendo culminado, em 1954, na total proibição de todas as suas atividades ligadas ao espetáculo. Do recurso à rádio comercial resultou, em 1951, a produção do programa "Os Companheiros da Alegria" - organização teatral, radiofónica, artística e publicitária de carácter e auditório itinerantes – e do programa “Comboio das seis e meia”, tendo marcado, na década de 50, uma invulgar mobilização da audiência radiofónica. O êxito desta iniciativa tornou-se incómodo para o governo e, assim, o Ministro da Presidência, em 1954, a pretexto de um elogio tecido por Igrejas Caeiro ao estadista Nehru, decretou a suspensão de todos os seus espetáculos públicos. O programa, em formato mais reduzido continuou aos microfones da Rádio Clube Português, onde Igrejas Caeiro criou, em 1954, a rubrica "Perfil de Um Artista", que, através de centenas de entrevistas a intelectuais progressistas portugueses e brasileiros, marcou um espaço de reflexão e defesa dos direitos humanos e das liberdades fundamentais. Levantada a suspensão, Igrejas Caeiro regressa às lides teatrais em 1969, assumindo a direção do Teatro Maria Matos que fundou e onde apresentou a peça A Relíquia.

Também integrou vários elencos no cinema, entre eles o do filme Camões, de Leitão de Barros em 1946; Porto de Abrigo (1941), Amor de Perdição (1943), Fátima, Terra de Fé (1943), Camões (1946), Três Espelhos (1947) O Comissário da Polícia (1953) e O Trigo e o Joio (1965).

A Sociedade Portuguesa de Autores atribuiu-lhe o Prémio de Consagração de Carreira em 2005 e a Medalha de Honra em 2007.

Foi deputado do Partido Socialista após o 25 de Abril, Vereador na Camara Municipal de Cascais e Administrador da Fundação Sarah Beirão e da Fundação Marquês de Pombal.

Foi feito Comendador da Ordem da Liberdade a 9 de Junho de 1995,

Foi casado com a atriz Irene Velez, falecida em 2004.

A Casa contem um vasto espólio artístico ligado ao teatro, à música, às letras e à rádio, cujo desafio da Fundação Marquês de Pombal será conservá-lo e disponibilizá-lo ao público, mediante um modelo de gestão sustentável.