Exposição “BILHETE DE IDENTIDADE". Entrevista com António Pedro Santos

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  • António Pedro Santos irá inaugurar a sua exposição "BILHETE DE IDENTIDADE" no início de fevereiro, no Palácio dos Aciprestes. Leia a entrevista

    António Pedro Santos inaugura, no próximo dia 4 de fevereiro pelas 18h30, no Palácio dos Aciprestes a sua exposição "BILHETE DE IDENTIDADE", que estará patente até 5 de Março.

    Esta mostra reúne os 50 melhores retratos que António Pedro Santos fez ao longo de quase vinte anos de carreira. Entre os vários trabalhos encontrará caras de personalidades tão distintas como Mário Soares, Simone de Oliveira, Ana Moura, Herman José, Valter Hugo Mãe, Eduardo Lourenço, Ana Sofia, Rita Ferro, Pedro Ayres Magalhães ou Joana Vasconcelos. "Mostram-se sem preconceitos, em cenários íntimos e inusitados". 

    O Oeiras Digital entrevistou António Pedro Santos que nos falou um pouco sobre esta mostra. Leia abaixo toda a entrevista. 

     

    Pode falar-nos um pouco sobre esta exposição?

    "Bilhete de Identidade" é uma retrospectiva dos 50 melhores retratos que fiz ao longo da minha carreira, publicados na sua maioria nos jornais Sol e i, onde trabalhei nos últimos 11 anos. Todos têm um nome, todos têm um rosto, todos têm uma alma. O desafio de capturar um olhar, um sorriso, uma expressão que complementasse as entrevistas escritas, que revelasse um pouco da alma de cada um, é o resultado que pode ser visto no Palácio dos Aciprestes. 

    Porquê a escolha do nome “Bilhete de Identidade” para esta mostra?

    A ideia do título foi da minha mulher, Mónica Menezes, igualmente jornalista. Quando tenho uma decisão importante para tomar, quando preciso de ajuda para estruturar um novo projecto, quando procuro uma opinião imparcial sobre o meu trabalho, é junto da Mónica que me aconselho sempre. Umas vezes elogia-me, outras critica-me, sempre sem meias palavras. Precisava de um título para a exposição e em conjunto, no meio de várias ideias, fez-se luz na cabeça dela. Nem pensei duas vezes, o título representava o projecto na perfeição.

    Que critérios foram tidos em conta para a escolha das imagens expostas?

    Todas as fotografias tinham de estar enquadradas num contexto de entrevista, em que os retratados posaram para mim. Ou seja, não são apenas imagens de figuras públicas, mas fotografias de individualidades conhecidas do grande público, que num determinado dia estiveram frente a frente com a minha câmara fotográfica. Além disso, todas tinham de obedecer a um critério único de criatividade e originalidade. Sou, sempre fui, contra a chamada "chapa 5". Todos os retratos foram feitos sem qualquer tipo de preparação prévia, não conhecia os locais antes de fotografar estas 50 personalidades. O enquadramento e a composição foram decididos no momento, num contexto de improvisação e espontaneidade.

    Procura passar algum tipo de mensagem com esta mostra?

    Essencialmente que o trabalho de um fotojornalista se deve pautar sempre pela criatividade. Graças ao meu trabalho pude conhecer várias destas individualidades, pessoas que sempre foram autênticos ídolos para mim, como Mário Soares, Miguel Sousa Tavares, Nuno Melo, Herman José ou Carlos Cruz. Esta é a minha singela homenagem a todos eles. 

    Como é que surge a ideia de realizar uma exposição com os seus trabalhos de anos e porque a escolha do Palácio dos Aciprestes para os expor?

    Sempre tive duas áreas de eleição na fotografia: retrato e reportagem. Depois de já ter fotografado quase todas as principais figuras públicas portuguesas ao serviço dos dois jornais, achei que estava na altura de os apresentar em exposição. Após apresentar o projecto à Dra. Paula Saraiva, recebi um grande apoio por parte da Fundação Marquês de Pombal, que patrocinou todas as impressões. O Palácio dos Aciprestes é o local ideal para esta exposição, por toda a beleza e história e simbolismo.

    Que expectativas tem para esta exposição?

    Que seja visitada pelo maior número de pessoas e que, claro, a inauguração seja um sucesso.

    Falando agora um pouco sobre o seu gosto pela fotografia, esta é uma exposição composta por retratos mas, existe alguma temática pela qual goste mais de se debruçar e fotografar?

    Não se trata de um "gosto pela fotografia", mas da profissão que exerço há cerca de 20 anos com paixão e orgulho. Também gosto muito de escrever, mas não me imagino a fazer outra coisa que não seja fotografar, descobrir novas histórias para contar. Sou viciado no que faço, diria até obcecado. Por uma boa reportagem vou até ao fim do mundo.

    Tem já programados novos projetos que possa desvendar?

    Politicamente correcto é dizer que a nossa melhor fotografia é a que vamos tirar amanhã, mas prefiro dizer que o meu próximo projecto é desmontar a exposição "Bilhete de Identidade" com o mesmo orgulho e prazer com que a montei. Daqui a 20 anos espero fazer uma nova mostra com os meus 100 melhores retratos.