Exposição - Non Tantum eo Tempore. Entrevista a Ivo Alexandre

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  • A Fundação Marquês de Pombal recebe de 20 de abril a 18 de junho, na Galeria de Arte do Palácio dos Aciprestes a Exposição “Non Tantum eo Tempore”, do Latim “O tempo não acaba”. Trata-se de uma pequena mostra do trabalho desenvolvido por Ivo Alexandre ao longo de vários anos, ao longo do tempo....

    Ao contrário dos atuais movimentos estético/teóricos, esta obra posiciona-se no campo espiritual e filosófico, na busca e na compreensão do que é, ser humano em qualquer dimensão física ou temporal. 

    Em entrevista, Ivo Alexandre fala-nos sobre o que poderá encontrar nesta exposição e sobre a sua visão da mesma. 

    · Antes de mais como surge esta sua paixão pela pintura?
     Esta Paixão pela pintura surge desde muito novo, aos cinco anos, com uma tia que pintava. Ficava fascinado ao vê-la pintar e com os seus materiais, todos aqueles tubos de tinta de óleo, pastéis secos e todo o ambiente. Por outro lado, os meus Pais sempre me estimularam e apoiaram. Comecei a pintar em pastel seco, recriando alguns objectos, ocupando toda a folha. Nasciam assim os primeiros quadros que se destacavam dos desenhos que habitualmente as crianças fazem.
    Desde então nunca mais parei.
     
    · Fale-nos um pouco sobre a exposição que agora inaugura “Non Tantum eo Tempore”. O que podem os visitantes aqui encontrar?
    Esta exposição é uma pequena retrospectiva da obra que tenho desenvolvido. Em Português, significa, “O Tempo não Acaba” e pretende ser uma mostra do meu trabalho ao longo de vários anos, abordando temas esotéricos e filosóficos, com os quais me identifico.
     
    · As suas obras distanciam-se um pouco dos atuais movimentos estético/teóricos. Em que aspetos específicos se baseia para a criação das suas obras?
    Como referi anteriormente, a criação das minhas obras têm por base o esoterismo, e o misticismo, abordando-os de uma perspectiva filosófica e artistíca pois considero que a Arte nos deve levar mais além. Tento assim conhecer-me melhor e desenvolver-me espiritualmente. Tento também levar o observador a reflectir sobre esta visão que ao longo dos Tempos tem levado a Humanidade, muitos artistas, pensadores e outros a explorar estas questões que sempre nos acompanharão. É por esta razão que me distancio de alguns actuais movimentos artistícos que considero não fazerem justiça ao conceito de Arte.
     
    · “Quem somos através dos corpos que habitamos e o que fazemos neste tempo e neste espaço?”. Deixa esta questão numa pequena descrição sobre esta exposição. Tenta através das suas obras dar-lhe uma resposta? Como?
    Tento sim... apesar de menos fácil compreensão a minha pintura exalta o pensamento puro e primordial de quem somos, o que fazemos e para onde vamos. Tento de uma forma visual questionar-me e aos outros sobre os mistérios da Vida com tudo o que isso implica...
     
    · Para terminar, os quadros presentes nesta exposição são caracterizados por uma perspetiva visual muito própria, obras pintadas a óleo sobre tela, que muito o caracteriza. O facto de escolher essa característica para as suas obras pretende passar algum tipo de mensagem?
    Sem dúvida que sim. Faço uso de uma técnica de pintura muito particular, que eu próprio desenvolvi ao longo dos anos, que me permite tirar partido das cores de uma forma poderosa, criando mais intensidade nos quadros e assim torná-los mais fortes visualmente. Tento tirar partido de todos os factores para conseguir atingir o objectivo que é sempre um maior impacto visual, não só pelo conteúdo, mas também pela forma como são executados. Assim a mensagem que pretendo passar torna-se mais evidente, fazendo com que cada quadro individualmente seja uma peça única de Magia. Penso que a pintura em particular deve ser objecto de contemplação e de pensamento, deve fazer-nos pensar. É uma forma de filosofia visual que nos pode fazer sentir emoções que não conseguimos descrever com palavras.