"A Ceia do Marquês" - Entrevista a Carlos Paiva

De 13 de Maio a 8 de junho, o Palácio dos Aciprestes vai receber “A Ceia do Marquês”, um espetáculo que apela aos cinco sentidos, por proporcionar uma experiência cénica, gastronómica e histórica, onde os espectadores assistem a uma sucessão de quadros teatrais inspirados na vida do Marquês de Pombal, enquanto se sentam à sua mesa.

Para comemorar o 319º aniversário do nascimento de Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal e Conde Oeiras, a produtora “Cenas e Quê…” preparou um espetáculo que pretende transportar o público a 1777, numa jornada histórica e gastronómica, intitulada A Ceia do Marquês.

O encenador de "A Ceia do Marquês", Carlos Paiva fala-nos sobre este projeto, tudo o que ali vai poder encontrar e reviver, numa entrevista que poderá ler abaixo: 

⦁ Fale-nos um pouco sobre esta encenação “A Ceia do Marquês”.
O Marquês de Pombal é uma figura maior da nossa história. Vulto de grande estadista, foi um visionário nas suas reformas e, como a sua época, pleno de contradições. Quando se pensa e fala do Marquês de Pombal, raramente se abordam as contradições do Homem e do seu percurso pessoal e político. Foi na assimetria do seu final de carreira/vida que se focou esta encenação.

⦁ Esta é uma encenação que prima pela diferenciação, já que a ação se vai desenrolando enquanto o público está à mesa. Como surge esta ideia?
Surge naturalmente. No seio de “Cenas & Quê” residem várias competências, do artesanato à escrita, da gastronomia à representação, do aderecismo à cenografia. Casar alguns desses saberes numa acção abrangente pareceu o caminho natural.


⦁ O que é que o público pode esperar desta interação? Pode descortinar um pouco do que será a dinâmica da peça?
A opção clara foi a da imersão, não a interação. Os espectadores são comensais, estão ocupados fisicamente com a sua refeição. A peça interfere “apenas” com as suas emoções, já que se desenvolve em proximidade, como se os espectadores fossem entes invisíveis e incorpóreos a assistir à intimidade doméstica do Marquês.

⦁ Esta é uma ideia tem vindo a ter aceitação por parte do público ou trata-se ainda de uma estreia? Que espectativas tem em relação à adesão do público?
É uma estreia para o “Cenas & Quê”, que pela primeira vez aborda este formato. Como tal, tem a expectativa de todas as estreias: O público há de aderir se lhe for oferecida uma experiência estimulante, provocadora e honesta. Que é exactamente o que trabalhamos para dar.

 
⦁ A que se deve a escolha de Marquês de Pombal para ser a base e principal foco desta peça?
A escolha pareceu inevitável pelo alinhamento de fatores: O Palácio dos Aciprestes é a sede da Fundação com o seu nome; a proximidade da data do seu aniversário (13 de Maio); a sua ligação intrínseca a Oeiras; a dimensão dramática da personagem; o apreço de “Cenas & Quê” pelas histórias da História, seus momentos e figuras.


⦁ Algum tipo de reflexões específicas que queira  passar ao público que assistirá à peça?
Como é dito na sinopse, vale a pena reflectir um pouco sobre a transitoriedade da glória. É recorrente, na História, encontrar figuras de dimensão maior, pela acção heróica, política ou científica, influência no percurso histórico ou carácter superior que afinal encontram um epílogo indigno do percurso antecedente. Vale realmente a pena reflectir sobre isto e disso se faz a peça.

⦁ Não se trata apenas de uma encenação, decorre ali também um jantar. A nível gastronómico, o que poderá ali também o público encontrar?
Uma cozinha caseira, preocupada mais com o conteúdo que com a forma. Não há criados de libré a servir; em “Cenas & Quê” há somente a preocupação da busca dos melhores ingredientes, para proporcionar uma experência grata ao palato. Procuramos genuinamente o velho sabor do prato da avó. Não se pode servir gato por lebre...


⦁ Para terminar, uma mensagem para apelar ao público a vir até ao Palácio dos Aciprestes e participar nesta “A Ceia do Marquês”.
Como no enunciado dos diversos suportes de divulgação que temos, se gosta de teatro, história e gastronomia, a que se soma um cenário natural que emoldura perfeitamente a época, o espírito e a acção, então este espectáculo/ceia foi feito com todo o cuidado especialmente para si. Cá o esperamos.