Exposição – RECODING: RECODIFICAR. Entrevista a Antonieta Martinho

A Fundação Marquês de Pombal vai inaugurar no próximo dia 7 de julho a exposição RECODING: RECODIFICAR de Antonieta MartinhoA exposição estará patente ao público até dia 3 de agosto , na galeria de arte do Palácio dos Aciprestes. 


⦁ Antes de mais como surge esta sua paixão pela pintura?
Desde que me lembre quis sempre ser pintora. É sempre difícil falar de nós próprios e mais ainda do nosso trabalho. 

⦁ Fale-nos um pouco sobre a exposição que agora inaugura “Exposição Recoding - Recodificar ”. O que podem os visitantes aqui encontrar?
Apresento nesta exposição obras em que proponho, que o discurso plástico seja forjado por uma clara sobreposição de planos.

Os visitantes irão encontrar obras realizadas num novo material, com uma nova técnica de pintura, em formato bi e tri dimensional.
O título da exposição Recoding - Recodificar pretende mostrar que associamos informações novas com informações da memória de longo prazo.

 As suas obras distanciam-se um pouco dos atuais movimentos, afirmando uma escolha, em que, a componente abstratizante tem um signifi cado próprio na linguagem que utiliza. Por um lado tem a questão da plasticidade das matérias, com uma aproximação e estudo da produção artística expressionista, matérica e experimentalista do século XX, e, por outro lado, a questão das sensibilidades e das ideias face aos meios e modos do século XXI.

Que caracteristicas diferenciadoras traz esta pluralidade às suas obras?
O meu interesse pelo experimentalismo na pintura é uma constante e levou-me a uma nova expressão de linguagem, com a manipulação da perceção visual, entre as formas orgânicas e geométricas criadas nas obras expostas. A imagem da pintura criada em suporte transparente, surge como que flutuando no espaço, sem limites, com simultaneidade de visão e interpenetração.

⦁ Escolhe um novo material de suporte, material transparente, brilhante e maleável. No presente trabalho explora a relação entre os principais elementos da pintura, cor, forma e vazio na vertente bi e tri dimensional, dando protagonismo à pintura/paisagem.
Porque a escolha destas particularidades em destaque nas suas obras?
Fascina-me a relação entre a transparência e a opacidade, conjugação de opostos. Para além disso a reflexão do material faz com que os translúcidos (presentes ou ausentes), bem como os contornos e tons nos levem a um distanciamento do espaço visível e real.

A pintura, a cor, a forma, e vazio na vertente bi e tri dimensional definem por vezes um tema, uma necessidade interior e o processo criativo manifesta-se na materialização da obra a realizar.

⦁ Para terminar, dada a singularidade vincada nas suas obras, pretende nelas passar algum tipo de mensagem ou levantar interrogações aos visitantes?
As diferentes variações da  luz em si, o espaço criado e estendido, espaço que se move e que se transforma de acordo com os movimentos do observador, levam-no a um contínuo questionamento, não só sobre a obra, mas também sobre o contexto da criação.