Conferência: Bossa Nova 60 Anos

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  • 25 de novembro | 15h00 | Salão Nobre Luís Vieira-Baptista

    No Brasil, sempre houve “bossa”; antes de 1958, e como Ruy Castro bem nota, havia “bossa antes da bossa”. Mas em 1958, e culminando um conjunto de experiências e combinações de ritmo e de melodia, incluindo precursores como Dick Farney e Johnny Alf, “explode” aquele que veio a ser o estilo musical mais internacional de sempre da música popular brasileira (MPB tem um significado um pouco diferente, como se verá). Tom Jobim e Vinicius de Moraes, que tinham tido um retumbante êxito com a música da peça “Orfeu da Conceição”, em 1956, andavam às voltas como uma nova música, que seria estreada por Elizete Cardoso, mas não conseguiam atinar com o ritmo certo. Até que um dia em 1958, bate-lhes à porta um bahiano vindo de Juazeiro chamado João Gilberto. De cabelo comprido, e aspeto um tanto vagabundo, à época, trazia um violão debaixo do braço. A dupla mostrou a música – claro, “Chega de saudade” – e de imediato, João tocou-a com uma batida nunca escutada até então. Tom e Vinicius exultaram. Era o que queriam! Nascia assim a bossa nova, rótulo que aliás João Gilberto sempre recusava usar, dizendo que ele apenas tocava “samba”. Depois do álbum de estreia “Canção do amor de mais”, em 1958, faz este ano precisamente 60 anos, logo no início de 1959, João Gilberto grava o seu 1º LP, onde a bossa nova se exprime da forma mais simples e perfeita. Seguem-se seis anos (1958 a 1964) de uma torrente de canções novas e do que parecia ser uma interminável inspiração. Pontificavam Tom e Vinicius, claro, nomeadamente com o grande sucesso “Garota de Ipanema” (a 2ª música mais gravada na história da música popular internacional, a seguir a “Yesterday” dos Beatles). Mas inesquecíveis ficaram também Roberto Menescal, Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Edu Lobo, João Donato, Quarteto Castro-Neves, etc... Até Chico Buarque se deixou influenciar na sua fase inicial (1964-65), escute-se “Januária”. Em 1962, num histórico show no sóbrio Carnegie Hall, a bossa nova apresentou-se ao mundo do jazz, em Nova Iorque. Na sala a assistir, músicos como Quincy Jones e Miles Davis. O país do “tio Sam” ficou, para sempre, contaminado pela nova música brasileira. Em finais de 60, novos ritmos e estilos passaram a dominar a música brasileira, como foi o caso dos “Tropicalistas” (Gil e Caetano) ou a “Jovem Guarda” (Roberto Carlos), e a assim a bossa nova passou a ser considerada música “antiga”, e não interventiva. Seria passageiro.

    Informações:
    Conferência por Manuel Mota
    Entrada livre sujeita à lotação da sala